Carnival like a Carioca

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" Amid the sleep deprivation, it is inevitable that each party seems to blend into the next; one epic fantasy-esque blur of hyper-coloured sights and sounds."

 
 

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I'd just survived the week-long shenanigans of Rio Carnival wearing a rotating selection of street vendor costumes (from sailor girl to Minnie Mouse) in tandem with three million fellow costumed revellers going bananas all over town. The pouring rain, nor the crowds, couldn't deter the enthusiasm, as people flocked to the streets wherever there was music. As if they had all inhaled happy gas, this is the one time of the year when Brazilians cast their political struggles aside to cherish the better moments; nothing else matters.

As a guest in a foreign country, one must always abide by the host's rules, and it is the perfect time to dive headfirst into a sea of ecstatic party-goers celebrating life. To not be rude, obviously.

Watching the official Carnival parade of highly competitive and skilled Samba school dancers perched on garish OTT floats was a visual feast for my eyes. A well-deserved spot on that bucket list as you just have to see it to believe it. Quite frankly it is an impossible feat to get any shut-eye during Carnival week when the general noise level echoing through the streets is as if a rockstar on acid is playing with fireworks - nonstop. Amid the sleep deprivation, it is inevitable that each party seems to blend into the next; one epic fantasy-esque blur of hyper-coloured sights and sounds.

As the annual celebrations drew to a close, I found myself bloco-hopping from one street party to the next with new found BFF's from the hostel. The last stop of the evening was in the glitzy Leblon neighbourhood of Rio de Janeiro, on the final night of carnival, with revellers who were very well lubricated.

You could smell the buzz in the air, or more specifically, the rampant secretion of pheromones. You see, guys in Rio like to introduce themselves in an intimate kind of way. And by intimate, I mean the lip-locking kind, instead of a more formal how-do-you-do handshake. Animalistic behaviours are common as unsuspecting bystanders often find themselves being licked on the face by complete strangers who either wipe off the slober in utter disguist or, reciprocate the gesture.

The justification of letting my hair down was very much due to the ubiquitous local beverage. What is it about the caipirinha that seems to vapourise all remaining common sense? A friend did warn me about the potent concoction before my departure; “be careful, because caipirinhas make babies!” were his exact words. That thought is now being buried far beyond my alcohol tolerance threshold along with my integrity, and rapidly fading conscience, as I fake-samba my way through the crowd.

On cue, a gorgeous young man jumps in front of me with a big bottle of Stolychinaya, with my name written all over it, and proceeds to pour a hefty shot into my empty plastic cup. Overjoyed by this attentive gentleman's effervescent Carioca spirit, but unable to converse amid the deafening banging of drums surrounding us, we take a leisurely stroll to the beach and plonk down on the shoreline. Though with our limited language skills, our conversations relied heavily on hand gestures. Taking in the postcard Ipanema skyline lit up behind us, the waves crashing in front, and the Dois Irmãos mountains beyond, I am awestruck by the raw beauty of this city. I make a big decision at that moment, and share it with the world.

“I want to live up there in the stars!" I scream at the top of my lungs, my heart bursting with absolute certainty.

“No you don’t. That’s a favela,” snickers my companion in sudden fluent English. We laugh as we stumble our sandy, drunk arses back to the party, and exchange contact details with broken promises of seeing each other again in the sobriety of daylight.

That was the catalyst to my life-changing decision to spend some part of every year in the Cidade Maravilhosa (Marvellous City). Little did I know I’d even end up pulling a month-long stint living in Vidigal (the aforementioned favela). Every time I'm back there, I take a moment to sit on the beach in the same spot and drink in all the glory of Rio. This is one city that always kicks my butt with its challenging ways, but never fails to thrill my socks off. It lives up to the well deserved hype. And then some.

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" Em meio a privação do sono, e inevitável que uma festa misture-se a outra, e tudo se transforme em um borrão épico e fantástico de imagens hiper-coloridas e sons. "

 
 

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Eu tinha acabado de sobreviver a uma semana de peripécias do Carnaval carioca usando uma seleção de fantasias que iam de marinheira a Minnie Mouse. Todas compradas de camelôs. Além de mim, mais três milhões de foliões, também fantasiados, piravam completamente pelo Rio. Nem a chuva, nem a multidão conseguiam acabar com o entusiasmo, e as pessoas iam em bandos às ruas, onde quer que houvesse música. Esta é a única época do ano em que os brasileiros, como se sob o efeito de gás do riso, deixam as lutas políticas de lado para aproveitar momentos mais felizes, em que nada mais importa.

Um convidado em um país estrangeiro deve sempre respeitar as regras do hóspede. Para não ser rude, é claro. E a regra parece ser mergulhar de cabeça em um mar de foliões extasiados celebrando a vida.

Assistir ao desfile oficial das escolas de samba e ver sambistas altamente qualificados competindo em cima carros alegóricos pra lá de exagerados é um banquete para os olhos. Uma experiência que deve estar na lista de coisas que uma pessoa precisa fazer antes de morrer. Francamente, é impossível pregar os olhos durante a semana do Carnaval, quando o nível de barulho geral ecoando pelas ruas é como se um astro do rock estivesse brincando sem parar com fogos de artifício, depois de ter tomado ácido. Em meio à privação do sono, é inevitável que uma festa misture-se a outra, e tudo se transforme em um borrão épico e fantástico de imagens hiper-coloridas e sons.

Com o fim das celebrações se aproximando, eu me vi pulando de bloco em bloco, de rua em rua, com meus novos amigos-para-sempre, que tinha acabado de conhecer no albergue onde estava hospedada. A última parada da noite, na derradeira noite de carnaval, foi o deslumbrante bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, junto a milhares de foliões com as energias ainda a mil.

Dava para sentir o zumbido no ar, ou, mais especificamente, a secreção excessiva de feromônios. Veja bem, os homens cariocas gostam de se apresentar de uma maneira muito íntima. E isso significa dar beijo de língua em vez de um aperto de mãos. Comportamentos animalescos são comuns, e espectadores desavisados são, com frequência, lambidos no rosto por completo estranhos. A reação pode ser de limpar a baba com nojo ou de retribuir o gesto.

A justificativa para soltar meu cabelo foi a onipresente bebida local. Por que será que a caipirinha parece vaporizar o pouco bom senso que sobra nas pessoas? Um amigo me avisou sobre a potente mistura antes da minha partida para o Rio. "Tome cuidado, porque caipirinhas fazem bebês!", foram suas exatas palavras. Esse pensamento agora está enterrado muito fundo, além da minha tolerância a álcool, junto com minha integridade e consciência, que desaparecem rapidamente enquanto eu finjo sambar e abro caminho pela multidão.

Aproveitando a deixa, um jovem lindo pula em minha frente com uma enorme garrafa de Stolychinaya, que era a minha cara. Ele começa a servir uma bela dose no copo de plástico vazio que tenho em mãos. Radiante de alegria com o efervescente espírito carioca desse atento cavalheiro, mas incapaz de conversar em meio ao barulho ensurdecedor de tambores que nos rodeiam, caminhamos em direção à praia. Por causa das nossas competências linguísticas limitadas, a conversa é praticamente gestual. Com o horizonte iluminado de Ipanema atrás de nós, as ondas quebrando em nossa frente, e o Dois Irmãos no canto do olho, fico impressionada com a beleza crua da cidade. Então, tomo uma importante decisão:

"Eu quero viver lá em cima, nas estrelas!", grito do fundo dos meus pulmões aos quatro ventos, meu coração explodindo de certeza absoluta.

"Não, você não quer. Aquela é uma favela", diz meu companheiro em súbito inglês fluente. Voltamos para a festa aos tropeços e risos, com as bundas sujas de areia e bêbados, e trocamos contatos com promessas não cumpridas de nos vermos outra vez na sobriedade da luz do dia.

Esse momento foi o catalisador de uma decisão que mudou a minha vida: passar pelo menos um período de cada ano na Cidade Maravilhosa. Mal sabia eu que acabaria vivendo um mês no Vidigal (a favela mencionada). Toda vez que volto ao Rio, tiro um momento para me sentar na praia, exatamente no mesmo lugar, e brindar à glória do Rio de Janeiro. Esta é uma cidade que sempre puxa meu tapete com seu jeito difícil, mas nunca deixa de me emocionar. Ela faz jus à merecida propaganda que recebe. E muito mais.

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